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Ordinarices: Sonhos Quiméricos

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Antes de começar (ou avançar) quero ressalvar que partes deste texto já existiam há algum tempo. Parágrafos soltos, sem fio condutor único. Pensamentos que se atrapalhavam e palavras que se acumulavam. Agora hesito se esta será a melhor altura para lhe dar alguma coesão – dentro das minhas possibilidades – e publicá-lo. Contudo, por defeito de personalidade, em casos de hesitação, opto sempre pela ação, submetendo-me às consequências.

 

Uma das caraterística do ser humano é, sem dúvida, a sua capacidade de sonhar. Seja sonhar enquanto ato de projetarmos imagens e sons quando dormimos – como se de filmes pessoais se tratassem –, ou sonhar enquanto metáfora para os nossos desejos, objetivos, aspirações e fantasias.

I have a dream! tornou-se numa expressão presente no léxico de muitos ao ser popularizada, animada e fortalecida por Martin Luther King Jr. como mote do seu discurso, em 1963, pelo fim da discriminação racial e pela igualdade de tratamento de todas as raças – confesso que me custa utilizar esta ou qualquer outra palavra no seu plural ao referir-me a pessoas, quando o meu pensamento, cada vez mais, converge para o entendimento de que existe apenas uma única raça, a raça humana.

O sonho move o mundo, dá alento ao ser humano e funciona como o combustível necessário para o percurso a vencer. Citando a Pedro Filosofal de António Gedeão:

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

A Humanidade deve muito aos sonhos de tantos e tantos homens. Sem os sonhadores nunca teria existido essa época a que chamamos Descobrimentos e o Mundo continuaria a ser um quadrado plano e muitos locais estariam por explorar e conhecer; não existiriam aviões e continuaríamos limitados ao plano terrestre; nem as viagens espaciais existiriam e ninguém teria pisado a Lua. Os exemplos são tantos e por de mais evidentes, pelo que não é necessário alongar este ponto.   

Contudo, há sonhos quiméricos. São sonhos que alimentam a humanidade (enquanto característica) da própria Humanidade, mas impossíveis de realizar. Seja o sonho pela igualdade de todos os seres humanos, o sonho da felicidade ou o sonho do sucesso ou riqueza, há sonhos que acabam por ter como caraterística intrínseca a sua imperfeita concretização. Não quero recusar em absoluto a possibilidade de concretização dos sonhos, porque há sonhos que se realizam, mas sou pessimista ao ponto de afirmar com segurança que poucos são os sonhos que se concretizam em plenitude.

Será muito difícil que todos os seres humanos (sem exceção) tratem o próximo em plena igualdade. Assim como será difícil ser-se inteiramente feliz todos os dias de uma vida, pois sabemos que a vida é uma jornada de altos e baixos, alegria e tristeza. E, também, toda a riqueza e/ou sucesso se tornam efémeros com o tempo.

Assim será, igualmente, o Sonho de Paz. Uma Quimera. Uma Utopia. Um objetivo difícil de alcançar e que dificilmente atingirá a sua plenitude.

Todavia, ainda que imperfeitos, estes sonhos quiméricos – especialmente o sonho de paz – servem um propósito de suma importância: servir de motor à Humanidade. Este não é um sonho que se realiza numa meta, mas no caminho em si. É um sonho que desafia cada ser humano, na sua própria e assumida imperfeição, a contribuir com uma parte. E, tal como uma gota de água se junta a outras gotas de água para fazer um oceano, ou um grão de areia se junta a outros grãos de areia para fazer um deserto, cada contributo se pode juntar aos outros contributos e construir um caminho de Paz para a Humanidade. Certo será que se trata de um caminho com pedras bicudas, bifurcações duvidosas e obstáculos para ultrapassar.

Porém, sinto-me forçado a insistir: o sonho de paz não é uma meta, apenas um caminho. Ter a consciência de que nunca existirá uma Paz Mundial em plenitude não é algo negativo ou desencorajador. Pelo contrário, devemos concentrar os nossos esforços em criar momentos de paz durante a jornada e, mesmo na sua imperfeição, a Paz existirá.

Tudo isto para dizer que os sonhos são importantes, sejam ou não quiméricos.

 

 

*Imagem retirada de unsplash.com

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Ordinarices: Porquê tantos links?

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Como já devem ter reparado, tenho o hábito de colocar diversos links nos textos que escrevo. Não o faço por outro motivo que não seja o de proporcionar a quem lê a possibilidade de satisfazer a sua curiosidade.

Sempre que leio um texto, tenho por vício, pesquisar os nomes, obras ou termos que não conheço. Sou curioso. Dou-me ao trabalho de – graças às facilidades de ler em computador – selecionar o termo e clicar em “pesquisar no Google”, que surge no menu do botão direito do rato. Colocar o link nos textos que escrevo, permite a quem lê, entrar diretamente numa página onde podem obter mais informações.

É desta forma que aprendo sempre mais um pouco sobre um autor, um realizador, um cientista, um filósofo, um livro, um filme, uma música… Porque nem tudo cabe nos textos. Porque nem tudo interessa a todos.

*Imagem retirada de unsplash.com

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Ordinarices: EyeSee Solutions – Publicidade Digital

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Damos muita importância às notícias de política, futebol e desastres e, muitas vezes, esquecemo-nos do que de bom e inovador se faz em Portugal. Faz-se em Portugal, mas destaca-se e tem reconhecimento no estrangeiro.

Há portugueses que se têm dedicado às novas tecnologias e têm conseguido obter o reconhecimento merecido. Na semana passada, esta notícia do Observador deu-me a conhecer a empresa EyeSee Solutions, que venceu a competição de pitch num dos principais eventos estadunidenses de tecnologia.

Tendo ficado curioso, visitei o site da EyeSee Solutions e descobri que esta empresa apresenta uma nova forma de incorporar a publicidade digital em imagens e vídeos. Falando numa ótica exclusiva de observador, o que me atrai mais na sua solução é o facto de os anúncios surgirem de uma forma notória, mas sem atrapalhar a visualização das imagens e vídeos, combatendo a nefasta praga dos anúncios que tapam o que queremos ver, levando-nos a clicar na “cruzinha” para fechar o anúncio rapidamente.

Se forem como eu, praticamente nem reparam no conteúdo do anúncio, apenas querem que ele desapareça rápido. Mas, pelo que vi dos exemplos do site, esta solução é visualmente agradável. Se aparecer nos vídeos ou imagens que estou a ver, apesar de me chamar a atenção, não me vai irritar (tanto).

A inovação não é um exclusivo americano, e são cada vez mais os portugueses que procuram – e obtêm – o reconhecimento e investimento necessários no mercado tecnológico norte-americano.

Parabéns a todos os que continuam a demonstrar – através do seu árduo trabalho – que a inovação ainda existe nos genes portugueses.

 

*Imagem retirada de unsplash.com

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